Brasil

A «caixa negra»<br>do trabalho escravo

A existência de trabalho escravo no Brasil foi denunciada domingo, em Porto Alegre, pelo

presidente do Supremo Tribunal do Trabalho, o ministro Francisco Fausto, que advogou a necessidade de o novo governo abrir a “caixa negra” desta calamidade e de a combater duramente.
Segundo o ministro, há até casos de repressão física e assassinatos de trabalhadores, com ocultação de corpos, que precisam ser investigados e punidos. «Para combater essa situação, é necessário que haja vontade política, o que não houve no governo de Fernando Henrique Cardoso», disse em declarações à imprensa antes de participar do Fórum, onde centrou suas críticas à ausência de medidas para enfrentar quem explora o trabalho escravo.
«O dia em que a caixa negra do trabalho escravo for aberta vai surpreender e escandalizar muita gente no país. Até hoje, por exemplo, não se deu ainda destaque a um facto que é estarrecedor, como a descoberta de ossadas humanas nas proximidades de fazendas que escravizam trabalhadores», afirmou o presidente do Tribunal.

 

Um flagelo generalizado

Para além de criticar a falta de vontade política do último governo, Francisco Fausto disse que ele faltou com a verdade ao divulgar que 90 por cento dos casos de trabalho escravo no país foram resolvidos durante a sua gestão. «Eu diria que não houve solução de percentagem nenhuma», disse, contestando os dados do anterior governo de que o trabalho escravo atingiria 3,5 mil pessoas.
O ministro dá mais crédito aos dados de organizações como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que dão conta da existência de cerca de 25 mil trabalhadores em condições análogas às de escravo no país.
Embora o flagelo esteja mais concentrado no Norte do Pará, principalmente na Amazónia Legal, a sua existência está disseminada por lugares como São Paulo, Rio de Janeiro e até o sul do País. A própria OIT já denunciou a existência de trabalho escravo em plantações de maçãs nos municípios de Vacaria, Rio Grande do Sul, e Lages, Santa Catarina.



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